' Camila, por Camila.

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Citando Clarice já de início, diria que 'minha alma tem o peso da palavra nunca dita.' Com um pouco de ousadia diria ainda que 'a palavra é meu domínio sobre o mundo!' Mais! Diria que sou compulsiva com coisas que gosto, como livros, filmes, séries, fotos, entre tantas outras. Gosto de muito mais coisas do que não gosto. Sou facilmente conquistada, e não sou tão fácil de desconquistar. Para escrever, me considero muito mais subjetiva, na vida muito mais objetiva. Posso dizer que amo, amo os amigos, os que me amam, e mesmo os que não amam. Mas, me assusto com o amor, acho o amor forte demais, grande. E não sei lidar muito bem com ele. Tenho medo de amar e magoar, de ser amada e magoada. Tenho medo de tanta coisa... Sou aquela que quer decidir o que fazer da vida e quer fazer isso direito. Aquela aspirante a Historiadora e que gosta muito, mas sempre tem um pouco de dúvida. Mas, falar de si mesmo é parcial demais, deixo para os que me conhecem e ainda assim me compram! Por Camila.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sentimento.

Alinhar à direita Ela estava sentada na varanda... Pensando. Observava os carros passarem velozes logo ali, na rua. Sua perna balançava automaticamente, sem que ela nem notasse e as luzes da rua embaçavam seus olhos, enquanto ela pensava. Não sabia exatamente em que pensar, mas, conseguia imaginar perfeitamente a cena. Ela via um carro, parar ali e de dentro dele descia um casal. O homem abriu a porta para que a mulher saísse e a mulher, a mulher era ela mesma. Ele fechou a porta do carro e parou observando-a com atenção, enquanto ela ajeitava a bolsa no ombro.
A garota, apesar de conhecê-lo há tanto tempo, ainda sentia-se nervosa em sua presença, e sempre que assim se sentia, mexia nos cabelos, afastando-os do seu rosto e colocando-os atrás da orelha, apenas de um lado, o direito. Era sempre assim... E quando falava apressada ou quando se sentia envergonhada ao falar, gesticulava com as mãos sem nem se dar conta do quão cômico isso era. Ela sorriu ainda de maneira nervosa, enquanto olhava o rapaz.
Às vezes se sentia tola, mas, não conseguia não olhá-lo assim quando estavam juntos, e sempre se pegava observando-o tranquilamente. Fosse quando ele estivesse almoçando, ou assistindo a uma série na TV, lendo um livro, ou apenas ouvindo música, ela sempre queria olhá-lo, observá-lo, admirá-lo. E ela o admirava tanto, por sua beleza, por sua inteligência, pelo seu jeito carinhoso de perguntar como ela estava, ou por qualquer outro motivo que ela enumeraria, se você pedisse. Essa admiração não deixava que ela parasse de olhá-lo, e nem de sorrir de um jeito tão bobo quando o fazia.
Ele segurou o seu rosto com delicadeza, de um jeito que só ele sabia segurar e puxou-o pra perto do seu da mesma maneira, beijando seus lábios que ansiavam por aquele beijo. Seus beijos eram sempre quentes, por mais inocentes que fossem, faziam queimar o corpo todo, de um jeito bom. Tanto pra ele, quanto pra ela, era sempre assim, mesmo num selinho demorado ao desejar bom dia, eles se amavam de um jeito de dar inveja. Quando eles se beijavam, sentiam borboletas no estômago, e quem olhasse de fora, podia ver as faíscas apaixonantes que eles emanavam.
As mãos dela afagavam seus cabelos enrolados e negros, carinhosamente e ele adorava quando ela o fazia. Sentia os pêlos da sua nuca se arrepiarem ao menor toque dela, e pra ele era impossível deixar de sorrir quando estava juntos. Às vezes quando brigavam, ou discutiam por algum motivo, o que raramente acontecia, ele começava a sorrir, enquanto ela falava nervosamente e em seguida os dois riam divertidamente de si mesmos.
O amor deve ser isso, ou isso estava bem perto de ser considerado amor. Eles eram perfeitos ao olhar dos amigos e das famílias. Mas, sabiam que não era assim, não eram perfeitos e estavam longe de ser, mas o amor não é mesmo a perfeição. O amor é o imperfeito, definitivamente. O perfeito soa fútil, material, vazio. O imperfeito lembra amor, o erro e as tentativas de acertos, a vontade de agradar o outro, o jeito, cada um do seu jeito, o carinho, a união.
Seus rostos se afastaram e seus olhos se abriram preguiçosamente ao sentirem o beijo chegar ao fim. Eles se olharam nos olhos com demora, com seus rostos ainda próximos um do outro, sentiam o coração bater acelerado, como sempre, mas, não se acostumavam com isso. Era uma sensação boa demais pra eles, a sensação de estarem completos. Ele acariciou carinhosamente o rosto da garota com a ponta dos dedos e deixou seus lábios tocarem levemente os dela, sorrindo com afeto em seguida.

"Eu queria ficar com você hoje." Ele sussurrou com os lábios ainda próximos dos dela, fazendo com que ela sorrisse de um jeito muito alegre. Ela acenou positivamente com a cabeça, ainda em seu sorriso e manteve seus lábios próximos dos dele.

"Eu sempre quero ficar com você." Respondeu no mesmo tom sussurrado e apaixonado, acariciando sua nuca, e vez ou outra os cabelos do rapaz.

Talvez eles exalassem luz, talvez apenas se amassem mesmo, mas era real, tão real... Ele segurou as mãos dela e continuou olhando nos seus olhos. Atravessou a rua e andou ao lado dela até a porta de sua casa, onde parou, sem soltar suas mãos.

"Dorme bem e sonhe com os anjos, meu amor.." Ele falou baixo, mas mais alto que um sussurro. Puxou o corpo da garota pra junto do seu e a abraçou, sentindo as mãos dela segurarem suas costas, enquanto ela se apertava naquele abraço.

"Vou sonhar com você." Ela disse distante, ainda abraçando-o e completou rapidamente. "Você é o meu anjo." Ele sorriu abertamente ao escutá-la e afastou seu rosto do dela, beijando seus lábios, com mais urgência dessa vez.

Ela segurou o rosto do rapaz entre o beijo, acariciando-o e sentiu aquele beijo tão bom acabar. Ela selou ainda seus lábios, rapidamente e eles se olharam ainda por um longo momento.
Nunca queriam se separar, mas, naquele dia a vontade de ficar junto era maior nos dois. Ambos queriam se sentir por toda a noite, sentir o cheiro um do outro, bem perto.

"Eu amo você." Ela sussurrou, observando-o e sorriu ao vê-lo sorrir. Segurava suas mãos de novo, e não conseguiam parar de se olhar.

"Eu também te amo." Ele respondeu ainda sorrindo, e ela fechou os olhos, respirando profundamente, para inspirar o perfume bom que vinha do corpo dele. Eles soltaram as mãos e ele lhe deu ainda um beijo rápido, antes de ela andar até a porta de sua casa e abrir a mesma, observando o rapaz. Ele entrou no carro e acenou dali, antes de ligá-lo e esperar que ela entrasse, foi embora em seguida. Naquela noite, ela dormiu muito feliz, sentia tanta felicidade, que ficava inquieta, mesmo dormindo.

De manhã o telefone tocou, não era quem ela esperava que fosse... Não era o seu amor... Era a mãe dele, e era ela quem dizia que a garota não mais escutaria a voz daquele, que por tanto tempo a chamou de amor. Aquela voz que tinha seu jeito especial de falar, ela não mais ouviria. Aquele olhar que mexia com ela como nenhum outro, ela não mais veria aquele olhar. Aqueles sorrisos tão carinhosos, sempre direcionados a ela, nunca mais seria. Nunca mais sentiria o toque daqueles abraços, abraços que só ele sabia como eram. Abraços que protegiam de um jeito, que era doloroso se soltar. Ela se perguntava por que essas coisas aconteciam assim, não conseguia aceitar que ele não ligaria naquela manhã, desejando-lhe o bom dia de todos os dias.
Quando recebeu a notícia, ficou estagnada, física e mentalmente, não conseguia pensar em nada, só se lembrava da voz dele, e do que ela estava dizendo. Não sabia se estava chorando, não estava sentindo nada, nada além de uma tristeza absurda, e uma certeza de que o mundo era mesmo injusto. Tempos depois, não se lembrava de como tinha sido o funeral, não se lembrava da maneira como se comportou, naquele dia, ela só enxergou o seu anjo, e ele estava tão bonito, ela sentia as mãos dele enxugando suas lágrimas, e só assim descobriu que estava chorando.
Depois daquele dia, o amor não foi mais o mesmo, ela também não, seus sorrisos não eram tão felizes sem os dele, mas ela sempre o sentia perto. E por todo o tempo em que viveu, ela rezava para o seu anjo, e seu anjo zelava por ela a cada dia de sua vida. Um amor imperfeito, que durou por quanto tempo um amor pode durar, por toda a vida, ela foi o amor da vida dele, e ele foi o seu anjo, além de seu amor.

Por, Camila Neves Figueiredo. Escrito em 4 de novembro de 2010.

3 comentários:

  1. Sabia que é feio fazer as pessoas chorarem?? UASHUASHUSA
    Ficou lindoooo *------*
    Bj Jé

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  2. Olá, tudo bom?
    Vi seu blog na comunidade "Escritores de gaveta" e achei muito interessante.
    Comecei um blog tbm, se puder e não for pedir muito, de uma passadinha no meu?

    http://cabecafeminina.blogspot.com/

    Muuito obrigada e parabéns pelo blog!!!!

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  3. Adorei o texto. Muito fofo e retrata um pouco da realidade! :)
    Parabéns!
    Aposto que não deve saber quem é... haha :D

    Beijos,
    Kath (ou Rafa, se você preferir).

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