' Camila, por Camila.

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Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil
Citando Clarice já de início, diria que 'minha alma tem o peso da palavra nunca dita.' Com um pouco de ousadia diria ainda que 'a palavra é meu domínio sobre o mundo!' Mais! Diria que sou compulsiva com coisas que gosto, como livros, filmes, séries, fotos, entre tantas outras. Gosto de muito mais coisas do que não gosto. Sou facilmente conquistada, e não sou tão fácil de desconquistar. Para escrever, me considero muito mais subjetiva, na vida muito mais objetiva. Posso dizer que amo, amo os amigos, os que me amam, e mesmo os que não amam. Mas, me assusto com o amor, acho o amor forte demais, grande. E não sei lidar muito bem com ele. Tenho medo de amar e magoar, de ser amada e magoada. Tenho medo de tanta coisa... Sou aquela que quer decidir o que fazer da vida e quer fazer isso direito. Aquela aspirante a Historiadora e que gosta muito, mas sempre tem um pouco de dúvida. Mas, falar de si mesmo é parcial demais, deixo para os que me conhecem e ainda assim me compram! Por Camila.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Homens... Mas só os errados!

Ela andava timidamente ao lado da amiga ao entrar no lugar. Não se sentia super produzida para aquela festa, na verdade quase nunca se sentia muito bonita ou arrumada. Não se considerava uma pessoa muito atraente, se julgaria normal, se alguém lhe perguntasse o que ela achava de si mesma. Nem bonita demais, arrasando corações e nem muito feia, a ponto de não atrair ninguém, ela se considerava na média, num meio termo, em cima do muro, como muitos dizem. Ela tinha um dom, que não era um dos melhores, tinha o costume de atrair homens que não prestavam, só não sabia reconhecê-los, não antes de beijá-los.

Sua amiga, Eloíse, era do tipo falante, com seus seios fartos naquele decote, sentia que poderia dominar o mundo, ou pelo menos, o mundo masculino. Eloíse andava na frente descontraída e ela vinha logo atrás, tímida e mais lenta, porém com postura e cheia de equilíbrio naquele salto, que não era tão alto.

O lugar ainda não estava cheio, mas, todos ali presentes se viraram para observá-las, quando elas entraram. Ela focou no primeiro rosto amigo que viu, e andou até um grupo de pessoas, que estudavam em sua escola. As duas foram muito bem recebidas por aqueles que ela já conhecia. Exceto por um rapaz, que se apresentara rapidamente a ela, quando ela chegou. Ele era simpático, e conseguiu fazê-la rir várias vezes com o que dizia. Não que isso fosse difícil, ela riria de qualquer coisa pelo menos um pouco engraçada que você dissesse, mesmo sem querer. Pediram a primeira bebida, e conversaram todos sobre assuntos distintos. Nessa hora, ela ainda não sabia, mas estava prestes a conhecer mais um, na sua lista de "errados".

Mais pessoas chegaram, entre essas pessoas, seus amigos da escola, todos homens! Era com os homens que ela melhor se comunicava, e não com segundas intenções. Ela via em cada um dos rapazes, a sinceridade de um amigo verdadeiro, sinceridade essa, que não conseguia ver em muitas das mulheres com quem convivia. Ela sempre soube que existiam vários tipos de homens, alguns certos, alguns razoáveis e outros errados, falando resumidamente. Ela sabia também que alguns de seus amigos, exemplificavam o tipo errado de homem, mas se você perguntasse a ela, ela te responderia sorridente: "O Fulano? Ahh! Ele é uma gracinha!" E provavelmente diria o quanto são amigos, e conversam sobre as coisas. E ela não o faria por maldade, simplesmente não se lembraria, de um dia quando conversavam, e ele falou horrores de uma garota, só porque ela não quis ir com ele a uma rua deserta, ou quando ele falou dos seios pequenos de uma menina com quem ficara em um show. Ela só se lembraria do quanto ele era fofo quando ela precisava de ajuda, só se lembraria do jeito sincero que ele falava sobre tudo.

Talvez fosse por isso que ela sempre encontrava o seu tipo errado de homem, nas festas aonde ia. Muita gente lhe dizia que ela procurava o cara certo, nos lugares errados, mas ela não sabia onde era o certo, e mesmo se esforçando, não tinha ideia alguma de onde estavam os homens certos. Estava se divertindo naquele dia, como não se divertia já há algum tempo, o papo de seus amigos sempre a agradava e divertia.

A essa altura do campeonato, Eloíse já estava socializando com todos os rapazes da festa, e com algumas mulheres também. Eloíse conversava com todos, e teimava em repetir que não estava bêbada. Sentindo o álcool agir também em sua corrente sanguínea, a garota já não era mais tão tímida, não que o fosse com os amigos, mas limitava seus comentários.

Agora já se sentia a vontade, para falar e até dançar. Dançou com um de seus melhores amigos, o Lukas, e algumas garotas da escola a olharam, surpresas. Quem a visse na escola, jamais imaginaria que por trás das boas notas e dos amigos não-populares, existisse uma pessoa que dança, e não totalmente mal. Deu início ao seu momento de fotografias, tirando fotos com Lukas, e tiraram muitas, não ficando satisfeitos com nenhuma delas.

Foi nessa hora que ele voltou, aquele garoto, que havia se apresentado assim que ela chegara, queria tirar uma foto com ela. Que mal teria? Ela deve ter pensado nesse momento. Mas, na hora da foto, várias pessoas se juntaram na frente dos dois, tampando-os da câmera, que a essa altura não via o que estava acontecendo. Ela sentiu a mão do rapaz, segurar o seu ombro, e em seguida puxar seu rosto na direção do dele. A boca dele molhava a sua bochecha e ela tentava afastá-lo de si com as mãos. Ele insistiu por mais alguns instantes e em seguida, ela saiu dali, após se livrar daqueles braços.

Encostou-se ao balcão perto de onde se encontrava e respirou profundamente, acalmando o seu coração que batia num ritmo frenético, assustado. Esse foi o primeiro sinal de que ele era o cara errado, só que ela não percebeu. Não contou a ninguém o ocorrido e continuou curtindo a festa e conversando com seus amigos.

Até que num momento em que estava sozinha, ele voltou a lhe procurar. Pediu desculpas pelo jeito como havia a agarrado, foi simpático, fez elogios, como qualquer babaca pode fazer. E em seguida fez o seu drama, aquele de quem diz:

"Se não quiser, tudo bem."

Esse foi o segundo sinal, e mesmo assim ela não enxergou, quando ele parou o drama, e mais a elogiou, ela acabou deixando que ele a beijasse e correspondeu ao seu beijo. Beijaram-se por algum tempo, um beijo que não a envolvia, e nem despertava qualquer sentimento nela. Separaram-se, e cada um voltou a curtir com seus amigos.

Ela o via sempre fazendo piadinha com as mulheres, ou dançando ousadamente com elas. E esse, adivinha? Esse foi o terceiro sinal, também ignorado por ela. Quando ficaram de novo, um pouco mais tarde, estavam sentados em uma mesa sozinhos, e após se beijarem pela terceira vez, ele ficou em silêncio. Ela também não falou, e então ele olhou-a, com um olhar completamente vazio e como se fosse totalmente normal, perguntou:

"Vamos pro motel?" Ele sorriu em seguida, e ela olhou-o, totalmente descrente do que tinha escutado. Certo, talvez isso seja normal pra algumas pessoas, mas não pra ela. Pra ela isso estava longe de ser normal. Eles se conheciam há no máximo cinco horas, se beijaram três míseras vezes e ele estava convidando-a para um motel? Balançou negativamente a cabeça e encarou-o se levantando da cadeira.

"Acho que me enganei sobre você, e você sobre mim." Falou, já de pé e saiu dali, voltando a se sentar com seus amigos, que conversavam. Permaneceu em silêncio, e se assustou levemente ao sentir a mão de Lukas na sua.

"O que você tem?" Ele perguntou, soltando a mão dela ao ver que ela tinha se assustado. Ainda a observava, mas ela limitou-se a balançar negativamente a cabeça ali na mesa.

"Não é nada.." Ela respondeu num sussurro, apertando levemente a mão dele e soltando-a em seguida. Ficou ali, observando seus amigos por mais algum tempo, até que sua vontade de ir ao banheiro foi maior que sua preguiça, e ela foi até o banheiro feminino.

O banheiro estava vazio, ela entrou, respirou e só então foi fazer o que queria, seu demorado xixi. Levantou a calça jeans clara que vestia, e abaixou a blusa preta, abrindo em seguida a porta do banheiro. Ainda olhava para a própria roupa, mas quando levantou o rosto, não gostou muito do que viu. Ele estava ali no banheiro e agora a empurrava de volta para o box de onde ela saía. O homem errado novamente atacava. Por sorte, ele não era tão forte, e nem muito alto. Sua primeira reação foi de empurrá-lo para longe de si, e sair dali. Ele a encarou após ser empurrado, visivelmente ofendido.

"É assim que você me trata?" Perguntou de um jeito, que se ela não fosse à vítima ali, sentiria pena, mas o fato era que quem estava sendo agarrada no banheiro era ela mesma, e ela não achou a menor graça, pelo menos, não na hora.

"É assim que você me trata?" Ela perguntou grosseiramente, dando ênfase ao você quando o disse e antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, saiu dali voltando à mesa dos seus amigos. Aquela foi à hora em que ela notou que ele era um dos muitos caras errados que andavam por aí, e foi só a partir dessa hora que ela passou a ter nojo dele, e de todos os outros errados que já haviam passado por sua vida. Ela se sentiu mal, por tê-lo beijado, mas ainda sob o efeito do álcool, limitou-se a esquecer. Pensou que na próxima vez, saberia diferenciar o cara certo do cara errado, e não mais se sentiria assim. Não sei se ela ainda atrai os caras errados, mas, ela com certeza, merece alguém melhor que eles. Sua amiga Eloíse, também se decepcionou após beijar um errado, mas, ela ainda se diverte com eles, sabe-se lá como.



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  • 4º Filmes - Sociedade dos Poetas Mortos
  • 5º Séries - Star Trek, One Tree Hill
  • 6º Comidas - Pizza
  • 7º Poema - Poema de Sete Faces
  • 8º Bebidas - Fanta Uva
  • 9º Lugar - Casa do Eduardo, Pizzaria
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